3 de jul de 2009

UM POUCO DE NOSTALGIA...

Boa noite a todos os meus leitores!
Primeiramente, peço desculpas pela demora em postar novas colunas.
Hoje, quero aproveitar a felicidade de ter iniciado meu mestrado e relembrar um pouco da minha produção acadêmica. Por isso, decidi postar um trecho de minha monografia aqui.
Aos que se interessarem, posso enviar o arquivo completo por e-mail (admwanderson@yahoo.com.br).
Aí está apenas a introdução da monografia...
INTRODUÇÃO

Um dos mais evidentes fatores que tem influenciado o Comércio Internacional1 os últimos anos é o crescimento da China enquanto superpotência econômica. A concorrência sino-asiática é absurdamente desleal no que diz respeito a preços e custos. Por ter uma mão-de-obra quase escrava e um preço de custo de todos os produtos baixíssimo (quase zero em muitos casos), seus produtos são comprados em uma escala muito maior que os produtos nacionais (sapatos, roupas, fechaduras, cadeados, relógios e muitos outros).

Paralelamente, à estratégia de barateamento de mão-de-obra e custos, a China adota uma conduta de compra em proporções gigantes de suas matérias-primas, abaixando os estoques mundiais para poder ditar seus preços, aumentando os custos dos produtos das nações concorrentes.
Por isso, o Brasil e as outras nações da OMC devem investir em seus produtos, valorizando a produção interna com suas próprias matérias-primas, barateando ao máximo a produção nacional e diminuindo custos sem perder qualidade.

Esse contexto apresenta como desafio a conquista de níveis mais competitivos nos campos de custo e qualificação de mão-de-obra visto que, devido a esta falta na mão-de-obra chinesa, é, praticamente, impossível, chegar a patamares tão baixos de custo e, consequentemente, de preços de mercado. Um país que produza com um mínimo de qualidade entende que os custos de mão-de-obra qualificada e matérias-primas influenciam diretamente no preço final dos produtos e, por isso, seus preços/custos de mercado serão sempre maiores que os dos produtos chineses.

O público internacional está cada dia mais consciente de que as baixas nos custos e preços da China estão fazendo-a uma superpotência econômica nas próximas duas décadas. Isso é decorrente do fato de que este país está acumulando riquezas e dominando grande fatia do mercado que está priorizando preços mais baratos.

Outro fator de foco, mas não menos importante é o fato de que a China é dona da maior concentração populacional, e é exatamente isso que permite o barateamento de sua produção, visto que num país que abriga mais de dois bilhões de habitantes é impossível que a maior parte da população seja a mais qualificada. Não basta à nação produzir, é preciso adotar planos econômicos para conseguir competitividade com a nação mais populosa.

A concorrência chinesa é algo que está exercendo grande impacto sobre o mercado mundial. O baixo custo de produção e a mão-de-obra quase escrava (muito mais barata por isso) são fatores que geram uma competitividade absurda nos preços. Assim, a influência da concorrência chinesa é muito expressiva visto que ninguém tem condições de concorrer com preços tão baixos e, por isso, a China vem ganhando espaço nos últimos anos. Deve-se valorizar o comércio exterior das nações da ONU e suas relações com o mercado internacional, principalmente em relação às exportações mostrando que a qualidade deve ser compatível a um preço justo. Assim, valorizam-se os produtos a um preço compatível à qualidade e não estarão em más condições por um preço próximo à zero. Portanto, a presente pesquisa tem como objetivo mostrar a influência da concorrência chinesa sobre o mercado internacional. Assim, serão abordados temas como a expansão comercial da China, sua influência sobre o mercado interno e externo brasileiro e de outras nações, o governo Mao Tse-Tung, algumas breves considerações sobre as relações comerciais internas e externas do Brasil e da China, as ameaças que a potência sino-asiática traz para os blocos econômicos ocidentais e outros tópicos de relevância para o assunto.

Assim, serão abordados aspectos como a consolidação do socialismo chinês dentro do contexto contemporâneo do país. Neste ponto, serão abordados pontos como as perspectivas geohistóricas da China, a organização da população chinesa, a vida política e o Partido Comunista Chinês e sua doutrinação e propaganda. Enfim, serão vistos tópicos concernentes ao momento que a China vive hoje, sempre com o foco para sua situação social e política.

Também passaremos pela trajetória da Revolução Socialista. Será discutida a repercussão internacional do Exército Popular de Libertação da China, a reconstrução do país sob o partido, a Revolução Cultural ocorrida entre 1966 e 1976 e o governo de Mão Tse-Tung e o movimento de massa e as forças populares. Sob este prisma falaremos a respeito dos reflexos da Revolução Socialista na China que perduram até os dias de hoje e como o mundo reage a estas conseqüências, uma vez que foi uma revolução que mudou o rumo da ásia.

Também não deixaremos de lado as tendências modernizadoras do século XXI que estão tomando a China em sua economia e no estilo de vida da população, pois hoje temos que a influência do Ocidente sobre o Oriente é muito grande. A modernização e o processo de desmaoização trouxeram e ainda trazem novas influências e mantêm a China conectada ao que ocorre no pólo ocidental a todo o momento. Hoje é possível ver um enfraquecimento do comunismo e abertura da economia através de privatizações que diminuem as tendências socialistas no país.

Entretanto, apesar de toda a influência recebida do Ocidente, as relações internacionais da China merecem maior destaque. Haja vista para a situação de seu consumo absurdo, as condições de trabalho que diminuem seus preços e sua resistência à questão do aquecimento global junto com os Estados Unidos. Estas duas nações são responsáveis por grande parte da poluição responsável pelo aquecimento global. Uma com seu desenvolvimento e tecnologias dominantes e a outra com uma população asiática que supera os 1,5 bilhão de habitantes responsáveis por uma densidade demográfica de 131hab/Km2.

É neste contexto que faremos estas considerações sócio-econômicas a respeito desta superpotência que emergiu no contexto global no decorrer dos últimos anos. É preciso considerar que muito de sua atual situação se relaciona com seu sistema de saúde, com o trabalho escravo e com a política do filho único. Entretanto, além desta relação, temos que considerar o turismo e os clubes privês. Assim, teremos um panorama mais real da China e poderemos tecer alguns comentários importantes ao final deste trabalho monográfico.

Em um último, mas não menos importante momento, falaremos sobre a relação entre a economia chinesa e o Brasil. Sabendo que a concorrência chinesa influencia todo o cercado mundial, não poderíamos deixar de citar sua relação com a economia brasileira. Sabe-se que situações como o consumo desenfreado da China influencia diretamente a precificação de produtos de muitos segmentos. Ao aumentar seus estoques, o governo chinês diminui a disponibilidade de matérias-primas e produtos em setores econômicos estratégicos do mundo. Um bom exemplo disso é a compra desenfreada do zamac, matéria-prima de fechaduras. Ao comprar grandes lotes deste minério, a China diminui os estoques mundiais causando uma alta que, em alguns momentos chegou a girar em 35%, uma vez que passou a ser fornecedor quse exclusivo deste metal. Ainda na concorrência é possível observar semelhanças entre as duas nações em questão e não deixaremos de abordar isso, bem como o foco da economia chinesa na concorrência e seus processos de aprendizado e cópia com outros países, incluindo o Brasil.

Dissertaremos, também, sobre a cultura chinesa e a antropologia empresarial. Tentaremos entender o universo empresarial chinês e sua cultura organizacional. Qual o motivo real de seu sucesso econômico? Como a China chegou ao nível de superpotência? Qual a contribuição de sua cultura empresarial e sua metodologia nos negócios?

Enfim, é preciso entender qual o incentivo dado aos profissionais chineses em um país competitivo e misterioso em sua cultura. É sabido que, hoje, a China tem fortes perspectivas de dominar não apenas um, mas vários segmentos econômicos na escala mundial. O país que mantiver boas relações com a China terá as melhores chances de ser vencedor na economia global.